segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O filho que não era pródigo.

    A parábola do filho pródigo - aquele que gastou toda a parte lhe cabia da herança e blá-blá-blá – é uma das mais conhecidas da bíblia. O arrependimento e o perdão são exaltados nessa história.
    Arrependimento!?

    O caçulinha mimado quis gastar o dinheiro com “coisas mundanas”, aproveitou tudo o que tinha para aproveitar, conheceu pessoas – mulheres – e lugares diferentes, esbanjou e... ficou na miséria, e... se arrependeu!!!
    Oras, não foi muito nobre ele ter se arrependido quando suas opções eram morrer de fome, trabalhar duro para sobreviver ou voltar para a casa do papai rico com o seguinte pensamento: “Pai, pequei contra o céu e diante de ti, já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores”. Uau!!!
    E muitos consideram esse ato como “arrependimento”. Ok, pode até ser. Mas, é fácil se arrepender quando esta é a melhor opção, a mais fácil. Não o acho corajoso por isso. Ele não se arrependeu por vontade e, sim, por necessidade. Cadê a dignidade aí que eu não a encontro?
    O pai o perdoou. Tá! Muito bonito, mesmo. Então, o pai merece destaque. Justo! Embora, já esperássemos tal atitude de uma pai bondoso e amoroso – mas, não é regra.
    Agora, lembremo-nos de quem verdadeiramente é bom, leal, companheiro, responsável, dedicado, trabalhador... O filho que não era pródigo!
    O filho mais velho estava sempre com o pai e ao ver a festa que este preparou para seu irmão, reclamou, depois de ser procurado pelo pai: “Há tantos anos  que te sirvo sem jamais  transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado”.
    Sejamos francos, quem de nós não ficaria nem um pouco enciumado, se sentindo traído, menos amado, injustiçado???
    A resposta – muito “satisfatória” – do pai foi: “Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu”.
    Sim!!! E “eu não preciso dar nenhuma prova de carinho porque você sempre está ao meu lado”... ha ha ha
    As explicações me deixam enfadada!
    Brindemos ao filho que só queria um pouco de reconhecimento e, merecia – muito mais, por sinal – uma festa em sua homenagem.
    Talvez, por estar sempre ali não fosse notado... acho que isso acontece na vida real.
    E, mesmo assim, o filho rebelde continua fazendo sucesso com a nobreza de seu arrependimento...

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